
Faz frio lá fora e aqui dentro o ar que repousa entre nossos corpos agasalhados é gelado, mas quase não se faz notar. Sua respiração ao meu lado é calma e regular, seus olhos fechados e seu cabelo desarrumado fazem do seu sono uma das coisas mais bonitas que uma pessoa pode contemplar. Seu corpo, em movimentos involuntários para se proteger do frio, se encolhe como quem procura calor em si mesma e esquece do meu braço em sua cintura, se esquece do meu corpo que ao seu lado implora para que o tempo caminhe com passos anciãos em passeio diário em praça pública, meu corpo implora para que o tempo esqueça as obrigações do amanhã porque eu também quero esquecer as minhas.
A madrugada chegava devagar e o frio foi se intensificando, mas eu não percebi nada acontecendo ao meu redor porque eu me destrai com sua pele, com seus pelos arrepiados. Não vi que aos poucos o céu escureceu e algumas estrelas apareceram na nossa janela de cortinas abertas. Meus olhos tinham se acostumado com a escuridão e mesmo que eu não a pudesse ver com claridade eu via sua bela silhueta. Em algum momento da minha distração o vento se chocou com a janela e um pequeno estrondo a assustou, a fez mudar de posição, mas não a acordou. Seus seios e barriga descobertos, suas costas inteiras apoiadas no macio colchão, eu nesse pequeno espaço que me sobrou apoio minha cabeça no meu braço e a olho de cima, ela é realmente linda.
Deitei em seus seios como criança que pede carinho, abracei sua cintura mais uma vez sem muito me importar se seria novamente esquecida. Posicionei meus ouvido exatamente sobre a pele que cobria seu coração e, como canção de ninar, escutei seu copasso, seu rítimo, sua sincronia, escutei como seu corpo dançava sem ninguém perceber, se mexia e cantava sozinho só para meus ouvidos. Durante muito tempo eu fiquei ali decifrando seus sonhos pelos batimentos cardíacos e suas inspirações e expirações, me afastei de mim para me aproximar daquele corpo que descançava, ignorei minhas vontades de fechar os olhos e dormir para saciar minha vontade de acariciar aquela linda mulher que eu chamava de amor. Passei meus dedos pela sua cintura, pelos seus cabelos, a abracei como se nunca mais na vida eu poderia voltar a repetir aquele abraço. Beijei devagar suas bochechas delicadas com cuidado para não a acordar.
Meus olhos começaram a pesar com o passar da noite, minha boca a bocejar um sono que eu não queria assumir. Eu cochilava por alguns minutos e acordava lutando para não voltar a cochilar. Peguei o grosso cobertor para nos cobrir e quando aquele pesado tecido tocou a sua pele delicada ela, ainda dormindo, pegou e se cobriu com seu instinto, cada pedaço que antes eu beijava. Beijei seus lábios um beijo não correspondido de boa noite, e antes que meus lábios secos pudessem abandonar os seus ela pronunciou algumas palavras sem nem mesmo abrir os olhos, “Ainda acordada, princesa?”. Eu não respondi, somente deitei nos braços que ela tinha estendido para mim, me oferecendo seu ombro como travesseiro. Adormeci.
O dia aproveitou nossa janela de cortinas abertas para invadir o quarto e brilhar um pouco do seu brilho quente dentro dessas quatro paredes. Abri os olhos com certa dificuldade, estava claramente cansada, eu sentia os vestígios da noite passada em branco. Quando meus olhos estavam abertos e finalmente podiam ver percebi que faltava alguém ao meu lado, faltava o que deixava a cama apertada e pequena, não gostei da cama grande que se apresentava para mim naquela manhã.
Levantei em pleno desespero e fui procurar pela casa e tudo que eu encontrei foi um bilhete de letras desenhadas e arrumadas pendurado no imã da geladeira dizendo, “Estou pensando em desistir, me desculpa”. Como podia um bilhete com tão poucas palavras destruir toda minha estrutura em apenas alguns poucos segundos. Caminhei me arrastando e segurando nas paredes e deixei meu corpo cair no sofá, tentei remontar na minha cabeça minha vida, procurando alguma coisa que pudesse explicar tal acontecimento e tudo que vinha na minha cabeça era nada. Até onde eu me lembro a gente se amava.
Antes que eu pudesse me afundar e afogar nas minhas próprias lágrimas escutei o barulho da porta, a chave rodopiava na fechadura ao movimento das mãos da única pessoa que tinha as cópias dessas chaves. Ela viria reconstruir um mundo dentro de mim que tinha acabado de desabar, ou simplismete veio recuperar seus pequenos detalhes esquecidos nas minhas gavetas? Ela entrou devagar como quem pisa em território que não conhece, sentou ao meu lado no sofá e me perguntou que dia era hoje. Eu sem entender e sem querer muito escutar toda aquela conversa confessei minha distração e respondi que não tinha idéia de dia era hoje e perguntei porque isso importaria agora. Ela respondeu que hoje era nosso aniversário de namoro e que era para eu abrir meu presente que ela tinha acabado de trazer. A olhei com uma cara confusa, sem entender a conexão do bilhete com o presente. Abri aquele pequeno envelope que ela tinha acabado de me entregar e dentro dele havia duas passagens para fora do país e uma aliança com seu nome escrito. A olhei em busca de uma resposta e ela falou “Minha princesa, hoje quando acordei decidi desistir de tudo o que a gente vivia antes, confesso meu medo e também pensei em desistir de você, mas agora vejo que o que eu quero é uma cama maior e uma casa sem cópias de chaves. Desisti do meu trabalho aqui e a transferência para Paris me foi concedida. Não te peço que desista de tudo por mim, te peço que se case comigo e acarecie meu corpo adormecido todas as noites, que me proteja do frio e me beije todos os dias o seu tão bom beijo de boa noite”. A interrompi com um beijo, e sem precisar dar uma resposta levantamos juntas para começar arrumar nossos detalhes dentro de uma pequena mala.


16 comentários:
Que raiva, sempre em surpriendo ... eh inevitavel!
amo todos os seus texots..esse non seria diferente!
te amo muito
Final brilhante!
Parabéns mais uma vez pelo belo post, já falaram-te para escrever um livro? Tens o dom da palavra!
Beijosss moça e bom final de semana!
meu Deus aff q texto não sem nem dizer quantas vezes já reli ele de ontem para hoje rsss
como sempre você se supera a cada dia e surpreende a todos seus fãns e admiradores
me sinto feliz em poder fazer parte deste grupo que te segue e acompanha.Aguardo anciosamente o proximo texto que com certeza será divino como todos os outros parabéns linda bjs
JESUS!!
ameiiiii =D
frosinha!!!
pra as velhinhas ceguetas como eu, temos usar uma lupa pra ler. mas vale a pena , e sao lindos!!!
Fiquei sem palavras, é perfeito...
Parabéns por mais um texto brilhante!
Tu smepre me prega pessas com seus títulos ><.
Felicidades!
Adorei o texto!
Muito bom mesmo, virei fã e volto mais vezes com certeza!
Me surpeendeu. Adorei tudo aqui. Tá nos favoritos, certeza que volto. Bjs. Parabéns!
Ahhhh que linnnddoooooo!!!!
mais perfeito que isso? só dois disso *--------*
LIIIIIIIIIINDO \o/
Lindo e surpreendente!
NOSSAAAAA!!!! É sensacional demais a maneira como você consegue decifrar em palavras tais sentimentos que nós julgamos impossíveis de ser decifravéis, eu por exemplo! Fiquei encantada! Muitos parabens pra você! :)
Alias, vou te seguir aqui :))
Tem twitter tbm?!
Meu,perfeito demais esse texto,tu é uma otima escritora,porque não segue essa carreira,tens iotimas ideias e sabes muito bem como expor as mesmas.Adorei esse texto,deixei até salvei-o aqui para ler e reler mais vezes.Te desejo muito sucesso,e tenho certeza que se escreveres um livro tu terás sucesso absoluto.Parabéns guria,tu és uma ótima escritora.
que texto incrível!
parece que foi feito sob medida.. me encontrei nele.
Parabéns.
Lindo texto...
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