
Leia antes: Parte 1
O período de entre-feriados de fim de ano, passou com tanta lentidão que até parecia que o a última semana do ano estava composta somente por segundas-feiras chuvosas, entediantes e com escassa aprendizagem de conteúdo intelectual, o que só provou sua teoria de que final de ano não é apenas uma transição de pequenas eras individuais, mas era também uma época de grande estagnação mental. Mas deixando para trás suas teorias típicas da falta do que fazer, a jovem menina parou em pé no meio da sala, olhou em uma visão panorâmica toda aquela bagunça, pensou que teria pouco tempo até sua única visita chegar, falando francamente, teria apenas algumas poucas horas para deixar a casa em estado apresentável e depois deixar a si mesma em estado apresentável, pensou que estava perdida e que seria tarefa para algum super herói da limpeza, mas começou mesmo não acreditando muito na própria capacidade de arrumação em alta velocidade. Depois de alguns minutos arrumando viu mesmo que de arrumação em alta velocidade ela não tinha nada então a solução foi achar um canto no armário para amarrotar as cobertas que estavam no sofá, as roupas que estavam jogadas pelo quarto foram direto para a roupa suja, não importava o quão sujo estaria, e com uma pitada de criatividade ela conseguiu terminar a, se é que se pode chamar assim, arrumação. Quando por fim parou no mesmo lugar estratégico da sala e olhou para o sofá agora engomado, parou para pensar o quanto era frustante passar o último dia de um ano arrumando a casa, e prometeu para ela mesma que essa seria a primeira e única vez que faria isso, e que tentaria não acumular descaso a casa quando estivesse esperando alguém.
A tarde começava a aparecer, e com os claros sinais de que não ia demorar para que a civilização daquela cidade começasse a se esconder em suas casas, ela resolveu ir rápido no mercado comprar coisas beliscáveis e bebidas, porque de maneira nenhuma queria virar o ano lúcida e sóbria, queria livrar-se da vergonha sem cair no lamentável. Comprou um pouco de cada coisa, o mercado local não tinha muita coisa mesmo, optou por inventar o que cozinhar e por escolher bebidas de grande aceitação nacional, tentou não se equivocar em nenhum detalhe ainda que sabia que seria impossível acertar em tudo.
Subiu as escadas com a respiração quase falhando, as sacolas marcando sua pele de uma forma estranha e alinear, subiu cada degrau como quem está pagando pecados e promessas nas grandes escadarias das grandes igrejas, pisou o último degrau aliviada, olhou em direção a porta fechada de sua casa como se fosse as portas de um paraíso, encaixou e deu voltas na chave com certa dificuldade e empurrou com força a porta para dentro, ao entrar o gato que aparentemente havia sumido pela manhã (estaria ele fugindo da poeira e da vassoura) pulou en um salto quase inimaginável até seus pés cansados e começou a procurar por carinho enquando fazia carinho nas pernas da sua nova dona. Os dois foram caminhando juntos como dois grandes amigos cumplices da vida, até a cozinha. Com as sacolas repouzadas no chão ela se dirigiu ao quarto para escolher sua roupa, que com total certeza seria a primeira que visse no caminho, uma maneira formal de se vestir com um estilo desleixado e descontraído.
Antes de chegar ao banheiro o celular no seu bolso tocou a música da mensagem, era sua visita dizendo que ia começar a se arrumar para começar a se aproximar daquela casa que agora estava a menina que começou a andar quase correndo ao terminar de ler tais palavras, o gato calmo acompanhava com a cabeça toda a movimentação agitada da menina que até o momento não tinha parado. Correu para tomar um banho que desejava ser eterno, mas teve que ser reduzido ao necessário exigido pela higiene humana. Se arrumou no banheiro mesmo, depois foi para o quarto em busca do perfume empoeirado que quase nunca usava e procurou o tênis jogado debaixo da cama para calçar. E assim chegou a noite sem que ela se desse conta.
Quando ela parou e percebeu que não faltava nada mais para fazer e que o que restava era esperar, o interfone toca, era o porteiro avisando que uma moça queria subir, ela perguntou para o porteiro com un tom irônico se a moça era bonita, e como resposta o porteiro riu e disse que mais bonita não podia ser e desejou um boa festa para as duas, ela pediu pra que ele a deixasse subir. Ao desligar ela deu uma última olhada na casa, buscando algum vestígio de desordem que pudesse ter ficado para trás, até achou alguns pontos de descórdia, mas pensou que arrumar o pouco que tinha era ser neurótica.
Poucos segundos intermináveis até baterem na porta se passaram, o coração estava saindo pela boca, e a mão tremendo enquando girava a maçaneta. Parecia cena em câmera lenta de um grande filme talvez de drama ou de romance, talvez uma grande mistura desses dois estilos o que definiria com exatidão a vida real. O nervosismo quase a empediu de terminar o movimento rotatório da chave. Abriu a porta e ao ver aquele rosto uma grande sensação de felicidade e satisfação invadiu seu pequeno corpo e ela com um incalculável esforço conteve o sorriso bobo preso no seu rosto.
Se comprimentaram com devida educação e poucas palavras, a luz da sala acesa foi um convite para entrar, sua linda visita sentou ao lado do gato no sofá enquanto ela foi até a cozinha pegar as primeiras bebidas e ligar o som do iPod na caixinha de som, não sabia se acertaria no gosto musical, mas pouco se preocupou com isso porque aquela noite queria escutar suas músicas preferidas. Sentou timidamente no sofá, e no exato momento em que sentou o gato levantou e se deitou em seu colo, e ao deitar ficou olhando a convidada com um ar meio ciumento e logo encostou a cabeça na calça preta e fechou os olhos devagar em um sono que veio devagar. Enquanto acariciava o gato em seu colo ela começou o que seria uma longa conversa sem assuntos determinados. Com o tempo a bebida foi entrando em contato com a consciência e a conversa foi mudando, as risadas ficaram mais altas e os movimentos mais bruscos, a destração das duas meninas fez com que as horas passassem despercebidas.
A conversa que ia e vinha dentro daquela casa fez com que a tensão acabasse por completo, que fez que a distância entre as duas em cima daquele velho sofá fosse diminuindo e o gato encontrou como leito outro lugar onde podia ver o que acontecia, mas ao mesmo tempo podia tirar seu cochilo em paz.
No momento de uma dessas longas risadas, derivadas de qualquer assunto sem importância, sua visita se aproximou perigosamente ao seu rosto, sua risada paralisada teve como resposta um beijo curto e rápido, beijo que veio quase como uma pergunta, um pedido de pemissão para dar o segundo, seu rosto paralizado pareceu coincidir exatamente com a música defeituosa baixada da internet onde durante alguns segundos tudo ficou quieto, ela com um rosto um pouco assustado e a outra com um rosto envergonhado, segundos que pareciam não ter passado, parecia um congelamento do tempo e do espaço que só voltou ao seu estado normal quando a autora do primeiro beijo se aproximou para dar o segundo que mais uma vez não foi rejeitado por ela. Beijo esse que durou bem mais que o primeiro, foi a quebra de um gelo que constrangia o ambiente naquela noite quente, o silêncio persistia, a música parecia respeitar o momento, parecia esperar algum sinal verde para poder seguir.
O beijo parou quando seu vizinho solitário apareu na janela e gritou em alto e bom tom "Feliz ano novo, mundo!", as duas se olharam com olhares curiosos e em movimentos sincronizados olharam para seus respectivos relógios e se deram conta de que um ano novo já havia começado. A anfitriã olhou sua visita com um ar de frustração, como se não tivesse feito bem seu trabalho e perguntou se a outra tinha feito algum pedido, falou que não tinha feito nenhum e se indagou se ainda existia tempo para pedir alguma coisa, mas quando parou para pensar no que pedir não conseguiu lembrar de nada. Sua companheira sinalizou negativamente quando indagada sobre os pedidos e respondeu com um ar tranquilo que não precisava de pedidos aquela noite, porque já tinha motivos de sobra para acreditar que esse novo ano que começava seria um ano feliz.


6 comentários:
hahaha que fofo!
Amei o texto... engraçado hehe
=D
te amo muito linda
n2
simplesmente mais um perfeito...Parabéns...
Caramba Parabééns Muito lindoo *-*
perfeito é pouco pra esse texto *-*
cara muito lindo adoro vc...escreve super bem
o texto é mais que incrivel....
me pego sem palavras.....
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