09/06/2009

Menina III


Menina



Menina II



[...]

Alguma coisa dentro de mim me disse que não fizesse desse encontro uma mera ocasião, então me sentei ao seu lado, enquanto ela acompanhava cada movimento meu, e com uma das mãos a acariciei a cintura terminando em uma metade de abraço, com a outra a acariciei o rosto, e pelo pescoço a aproximei a mim. Ao seu ouvido me apresentei e a perguntei se ela queria estar comigo e ela sem resposta retribuiu meu abraço e afastando seu rosto do meu, me olhou, sorriu e me beijou.


Me beijou devagar sem pressa de terminar, seus dedos entrelaçados em meus cabelos eram quase carinho de mãe em noite de tormenta que acaricia e protege. Pensei nas palavras de meu médico que se referia a isso como uma doença, e pensei que sorte a minha estar doente e se tiver que morrer disso, quero morrer neste leito. Seus lábios rosados se afastaram dos meus porque em sua cabeça ainda tinham muitas palavras e questões sobre mim que não podiam esperar. Me perguntou com um sorriso meio envergonhado se eu fazia todos os dias o mesmo caminho por ela ou por outro motivo, porque o seu encontro diário com a janela era só por mim, respondi que não teria outro motivo para andar tantos passos se não fosse pelo sorriso de uma menina. Eu que tinha milhões de perguntas, versos e músicas não consegui dizer nada, a olhava e esperava para escutar mais uma vez aquela voz e ao mesmo tempo desejava silêncio dentro de beijos intermináveis. Tantas perguntas vieram junto com sorrisos, dúvidas, beijos e abraços. A interrompi e peguei em sua mão e falei “vamos a gente conversa pelo caminho.” A princípio ela não entendeu, mas quando viu em meu sorriso que o caminho seria o caminho tantas vezes seguido sozinho ela saltou a janela antes mesmo do que eu, abriu o pequeno portão de madeira e me deu passagem, me deu a mão bem apertado e deu o primeiro passo.
O caminho que seguimos, ainda que fosse o mesmo que tantas vezes segui, não parecia tão triste como antes, na verdade acho que eu nem reparei naquelas árvores sem flores, naquele chão irregular, na falta de pássaros no ar, caminhei em sincronia com outros passos, entre sorrisos e abraços fomos simplesmente andando por ai.
Chegando no portão do meu prédio ela parou, olhou para cima e perguntou em que andar eu morava, sem entender respondi que era no oitavo, ela voltou a me encarar e falou “que sorte a minha, o acaso que tanto me prometia um amor, te tirou de casa e me deixou na minha, porque se fosse eu andando e você na janela eu não te veria e isso com certeza não estaria acontecendo, e eu com certeza ainda estaria no meu mundo descontento esperando por alguém.”. Palavras simples que me contavam com poucos detalhes uma imensa verdade tomei como uma primeira declaração de amor.
Subimos as escadas sem nos dar conta de que estávamos subindo de escadas, a pausa pro descanso no meio de tantos degraus se transformou em pausa pra beijo, de brincadeira que quem parecia que já se conhecia faz tempo. Antes de abrir a porta uma dúvida quase existencial me veio a cabeça (“será que ta tudo arrumado?”), coisa que logo sumiu porque o que eu queria mesmo era estar lá dentro jogada no sofá descobrindo um pouco mais sobre ela.
Nosso dia foi mistura de adolescente em primeiro mês de namoro e adultos preocupados com o mundo, a lua que tomou lugar do sol não fez alarde, foi o relógio da cozinha que nos mostrou o quão já era tarde. Minha menina falou que tinha que ir embora e eu em desespero e com um ato totalmente premeditado a perguntei se não queria ficar essa noite e dormir comigo, palavras que saíram sem querer em resultado de pensamentos em voz alta. Pedi devidas desculpas e falei que se ela quisesse a acompanharia até sua casa, ela sorrindo fez sinal de não com a cabeça. Tirou a blusa sem apresentar pudor, me tirou de orbita a imagem de seu corpo quase nu, me deu as costas e a caminho do quarto indagou sobre o que vestir para dormir, fui logo atrás dela apagando as luzes e fechando as portas e janelas.
Me tranquei naquele abraço e o que vivo até agora não narro mais, a cada dia que passa as palavras se fazem mais desnecessárias.

21 comentários:

Nicole disse...

Me tranquei naquele abraço e o que vivo até agora não narro mais, a cada dia que passa as palavras se fazem mais desnecessárias.


*-*


que bonito!



n2

Andréa disse...

Terminou exatamente como eu pensei que seria.
gostei muito. parabéns, continue sempre escrevendo assim.

●๋•Maªay●๋• →SimPlєsmєntє← disse...

*_* perfeito! amei!

Menina disse...

Muito linda toda a história, passarei a vir aqui mais vezes!

Anônimo disse...

Nossa que lindo.!
principalmente qdo pare que vc esta lendo a historia da sua vida.!

;D

Marcellinha disse...

Adorei esse final
beijinhos

Sяtª Jéssica disse...

O final foi perfeito,muito lindo.
E toda a história tbm é muito linda...

bjus...

Rachel disse...

Amei a história!
beijão

anne dias disse...

ain, parabéns *-*
história liiiiiiinda :D
espero ter a IV :B
beijo :*

Caroline disse...

Nossa,fiquem sem palavras...

Parabéns...

História muito linda mesmo!

Ŧэяиαиdαcristina disse...

Putz cara... quem dera eu poder viver um amor que me faça escrever assim um dia.
muito bom ^^

Anônimo disse...

simplesmente...perfeito..
eu achei esse blog pro acaso,uma garota comentou ele num tópico do orkut...
amei..ja inseri nos favoritos,pq nesse momento da minha vida eu preciso de algo lindo para ler..
obrigada..
bjoss..

isley disse...

ola ñ conhecia seu blog mais hj passei a conhecer e vc ganhou uma fãn e admiradora apartir de agora,pois seus textos são simplesmente perfeitos parabens continue a criar suas obras primas se cuida bjs

Anônimo disse...

Muito legal. *---*

Isllane Letícia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mary f. disse...

oi.

mary f. disse...

meu deus, pelo visto não é só eu que ficou admirada com seu jeito de como levar as palavras, em dias que não me sinto bem,é de palavras/frases assim que eu preciso, por isso,por favor, eu não me importo com sua idade, nõ ligo se vc pode ser mais velha que eu, meus 17 nos estão aí, e não preciso de pessoas tão babacas,então, se vc estiver lendo realmente esse comentário, por favor me add no seu msn, É NECESSÁRIO QUE EU FAÇA PERGUNTAS A VC SOBRE A VIDA, sei que nao me responderás(obviamente)tudo, mas o pouco que tu sabes eu quero aprender,e queo aprender com usted, mesmo que não sejamos da mesma cidade.
msn: marilene.fl@hotmail.com
:*, vc é um falso ser, Deus não teria toda proeza de fazer tamanha criatura pefeita.
gostei de vc, isso é fato.
garota d ilusão.

valentina disse...

lindo demais seus textos ão consigopararde le-los muito bom mesmo

Maria disse...

Fiquei nostalgeada com esse belo e dooce final, meus pelos ate se arrepiaram com tamnha itencidade de cada palavra que vc escreveu.........





Meus parabéns

RB disse...

Final brilhante...
História MARAVILHOSA!!!


Parabiéns *-*

Vick Sousa disse...

Muito linda. Parabéns!

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