25/06/2009

A cama virou sofá



      As badaladas longas e profundas do sino da igreja entraram pelo sono interrompendo o sonho, despertando lentamente cada parte do seu corpo cansado. A luz fraca do sol que chegava forçava as cortinas querendo entrar para fazer compania. A TV ainda estava ligada desde a noite passada, falava em silêncio respeitando a noite e a tristeza da moça que deitou na sua frente no sofá pequeno.
 
      Era primeira vez que fazia do sofá uma cama, primeira vez que não dividia o travesseiro, que não sentia o respirar calmo de outro ser ao seu lado num rítimo de canção de ninar. Era a primeira vez que que as vozes alteradas não se foram caladas com o beijo apaixonado e os corpos agitados adormeceram com os braços entrelaçados. Era a primeira vez, depois de conhecer quem seria sua mulher, que se sentia só.
 
      Ao levantar se deparou com a casa vazia, como nos tempos que morava sozinha, as fotos na geladeira jogadas em cima da pia a fizeram lembrar do dia anterior, pegou cada uma delas como senhora que sente falta dos filhos que se foram e as colocou de volta em seus imãs. Abriu a geladeira para procurar qualquer coisa pra comer, mas não achou nada que matasse sua vontade de pedir desculpas ou pelo menos de a destrair por alguns poucos minutos antes que decidisse sair para procurar o que achava ter perdido.
 
      Não sabia muito bem por onde começar a procurar, resolveu optar pelo número tantas vezes discado e que no início foi rapidamente decorado do celular que como ela já esperava estava desligado. Resolveu ir para a casa fora de casa, o lugar onde tudo tinha começado, o primeiro beijo, o primeiro abraço, o pedido de casamento, mas ali também não estava. O único que restava era voltar para o sofá e esperar, ficar olhando para o telefone esperando tocar, esperando escutar o barulho da chave ao se virar na fechadura da porta de entrada. Esperou, esperou até adormecer mais uma vez no braço do sofá. Adormeceu profundamente sem vontade de acordar, mas do mesmo jeito que seus olhos fecharam repentinamente eles abriram quando, mais uma vez, o sol bateu na porta. Acordou com a sensação de que o sofá estava um pouco menor, com um pouco de esforço fugiu do sono que voltava a incomodar, quando a lucidez tomou seu ser sorriu um sorriso aliviado, segurou na mão que a abraçava por trás e relaxou seu corpo, sentiu a respiração tão conhecida e viu que agora podia dormir em paz, ainda que não quisesse dormir resolveu esperar o sol cansar de bater e invadir a janela para como de habitual levantar na ponta do pé e preparar um forte café para acordar seu amor com um doce beijo e esquecer tudo o que passou.
 
      Esse final de noite dormiram mais juntas do que nunca, sabia que se voltasse a dar espaço na cama e virasse pro outro lado voltaria algum dia para aquele lugar, por isso apertou o abraço como quem aperta para nunca mais se soltar.

12 comentários:

Nicole Thedin disse...

Isso me fez lembrar tanto a nossa historia, em alguns momentos..
como eu tenho saudade de dividir minha cama com vc
haha

saudade linda

te amo muito

naipe_surf disse...

Nossa manooo q fodaaa
se manda muitooo bemm

Patricia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mayara Kimura disse...

apertou o abraço como quem aperta para nunca mais se soltar [2]

Ahhhh, mais um texto super lindo.

Já sou sua fã *-*

Sяtª Jéssica disse...

A cada dia que se passa me surpreendo mais e mais com os seus textos.

parabéns!

bjus..

[amd] disse...

Suas narrativas são ótimas. Lê-se ansiando o próximo verso.


uma estrelinha para você. =)

alê disse...

amo suas histórias. essa em particular me lembrou uma antiga namorada.
beijos

claudete disse...

Adoroooooooo

sonetoaoalvoroco disse...

eu sempre disse q vc ia fazer sucesso com seus sentimentos escondidos em histórias.
gata!

Vivian disse...

Sensacional!

Anônimo disse...

Adoro Adoro Adoro!
Dos textos mais bonitos que li até hoje *.*

Andresa disse...

Que fofo!!!

Lembrei ao ler que isso me aconteceu um dia, e realmente, apertei o abraço como que aperta para nunca mais se soltar!

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