Tinha o cabelo curto, caído pelo rosto escondendo toda a testa e parte do olho direito, olhos esses que eram azuis como o mar calmo de verão, grandes e penetrantes e, além de tudo, muito sérios. Na metade exata entre os olhos começava um nariz fino e regular, estava ali em harmonia com os olhos, mas não com a pequena e delicada boca que contrastava com todo seu rosto. Tinha sempre as bochechas rosadas. Suas orelhas, que quase nunca apareciam por causa do cabelo eram pequenas como as de uma criança.
Seu pescoço era fino e curto, era ali que se via o quanto era magra, os ossos saltavam a vista de qualquer que a olhasse, esses ossos pareciam montados a mão, pareciam uma construção delicada e débil, como um trabalho artesão.
Os ossos se escondiam em seus ombros largos como os dos nadadores, mas ela não sabia nem sequer nadar, os havia herdado do pai. Eram os ombros que sustentavam os longos braços cansados, caídos, cheio de cicatrizes e com uma pequena tatuagem -números- por debaixo de cotovelo, que fizeram nos tempos de guerra, que por sua vez sustentavam as mãos magras e ossudas, cheia de veias grandes e escuras, tinha as unhas sujas de lixo antigo, do trabalho de toda a vida.
Tinha as costas curvadas e com as marcas perfeitas de sua coluna e costelas, a linha lateral, as que definem a cintura, não definia nada, somente estava ali encima da carne fina.
Se olhada pela frente se podia ver uma pequena elevação no peito com pequenos mamilos deformados pelo o amamentar de seus filhos, se podiam ver o resto das costelas e um umbigo para fora do corpo.
Suas pernas eram finas como todo seu corpo, como todos seus ossos. Parecia não ter músculos, só se percibia algumas vibrações enquanto caminhava com pressa. Seus joelhos eram estranhamente colocados nas pernas, pareciam ser de outra pessoa maior que ela, se podia ver claramente como se fosse um desenho, todos os detalhes, dava a impressão de poder ver até as cartilagens. A parte inferior da perna era tão fina que parecia que ia quebrar a qualquer instante e era ali que não se podia ver nenhum músculo em nenhum momento.
Ainda que fosse relativamente jovem tinha os pés de um ancião, uns pés muito usados, se é possível dizer. Eram grandes como se tivessem vida própria e cresceram para aguentar tudo o que era proposto pelo cérebro. Tinha feridas antigas ainda abertas por estar sempre descalça entre as pedras e a areia.
Não era alta tampouco baixa, tinha no rosto uma expressão de quem acabava de chorar ou estava a ponto de começar, cabelo negro e seco. Sem forças. Parecia estar a ponto de morrer; e estava.
26/05/2009
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1 comentários:
só eu não tenho imaginação o suficiente pra mentalizar a pobre coitada...! rs
te amo muito
n2
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